DE LEITURA RÁPIDA

  • Não procuramos uma fórmula mágica. Apenas aquela que nos encoraje a encarar as nossas opções enquanto cidadãos, enquanto pessoas, e que estimule o nosso espírito crítico.
  • Crescemos e desenvolvemo-nos enquanto seres humanos limitados e moldados pelos princípios que a sociedade nos incute. Vivemos segundo as normas dela e para ela. Ao ritmo alucinante que o Homem faz a Terra girar.
  • E se parássemos?
  • Pára!
  • É isso que queremos que faças connosco. Parar, pensar, questionar, escolher.

  • Não a mecânica análise “de passagem”, mas algo mais responsável, mais maduro.
  • O que vês agora?
  • Convidamos-te a desvendares connosco a mensagem subliminar de Presos, campanha publicitária da Amnistia Internacional feita em Portugal contra a discriminação no geral. Focando-se na racial, social e religiosa.
  • Acreditamos no poder da comunicação e da partilha, não fossemos nós alunas do segundo ano do curso de Ciências da Comunicação da Ualg. Foi precisamente com essa finalidade que construímos este blogue, para que a par do trabalho que vamos desenvolver no âmbito da disciplina de Semiótica (leccionada pela Prof.ª Doutora Marina Graça) com a análise desta campanha possamos evoluir enquanto pessoas e partilhar esse crescimento, ou mesmo, crescer em conjunto com vocês.

  • A nossa missão é atrair-vos a partilhar connosco experiências, ideias e tudo mais que possamos fazer para trair e destruir as nossas "Prisões Mentais".
  • Comprometemo-nos a actualizar o blogue todos os dias, ora com notícias sobre casos de discriminação, ora com debates abertos sobre a temática. Iremos “postando” o nosso trabalho de investigação e de análise.

  • Obrigada por fazerem parte deste projecto!




Sofia Trindade, Grethel Ceballos e Vanessa Costa.

DESCRIÇÃO GERAL DA CAMPANHA






  • Título: Presos


  • Composta por três fotografias:




















African


















Muslim



Homeless



Em comum:

  • Ambos seguram uma placa com os dígitos: 213861664.
  • As placas ao estilo das utilizadas nas mugsoht (fotografias de identificação prisionais) fazem-nos associar cada um deles a criminosos.




  • As paredes não rebocada cinzenta, induzem-nos a ideia de que o local em que se encontram é uma cadeia/prisão.



Identificamo-los simplesmente como presos





Texto escrito:



«Ele não fez nada. Só está a divulgar o número da Amnistia Internacional. Discriminar não é humano. Denuncie.»






  • Linha de texto é constituída por duas cores: branco e vermelho.


Slogan da campanha: «Discriminar não é humano. Denuncie.»


Tema:


  • Discriminação;
  • «A discriminação em geral, tendo principal enfoque nas vertentes raciais, religiosas e sociais.» - André Lopes (Director de Arte de Presos)

Objectivos da campanha:

  • Mostrar-nos a realidade;
  • Sensibilizar-nos para uma reflexão sobre as nossas escolhas;
  • Mostrar-nos como e porque as fazemos;
  • Demonstrar que fazemos leituras rápidas, que nos enganamos, e que consequentemente discriminamos.
  • Objectivo máximo: Mudança de atitude!


    · «Sensibilizar a população em geral para este problema. E claro, reduzir ao máximo os casos de discriminação.» - Diogo Anahory (director criativo)


    · «O objectivo é provocar qualquer cidadão. Ao ver um negro a segurar uma placa, as pessoas pensam que é um criminoso. O árabe, simplesmente pelos trajes, vai-se pensar que é um fanático religioso. Quando se lê a mensagem [Discriminar não é humano], descortina-se a mensagem. Quando se vê um negro com a placa em baixo, as pessoas têm uma reacção contrária à verdadeira, onde ele está a mostrar o seu número de telefone. Esse é o poder da mensagem.» - André Lopes (director de arte)


Amnistia Internacional – Logótipo:

  • Apresentado no canto direito inferior da imagem.

  • Uma vela (branca), com chama vermelha rodeada por arame farpado vermelho).




  • Prémios: Leão de Bronze, Festival de Cannes e Ouro no Festival Internacional de Publicidade em Nova Iorque.


ELEMENTOS PLÁSTICOS




Cores:








Contraste:

  • Existe contraste nas fotografias.




    Pontos:









    Linhas:


















    Formas:








    Plano:


  • Plano americano.

Escala: do corpo humano.


Textura:

  • Textura visual lisa/ "gelada".

Iluminação:

ELEMENTOS PLÁSTICOS – COMPOSIÇÃO



Composição nível sintáctico



Perspectiva:

  • As fotografias apresentam pouca profundidade de campo. A ausência de profundidade é um modo de transformar as fotografias num "lugar" que pode pertencer a qualquer sítio.


  • As imagens são planas, de duas dimensões.

  • Seguem a tradição da representação "em perspectiva" utilizada no Renascimento pelos pintores do Quattrocento: «Arte de representar os objectos sobre uma superfície plana de modo a que esta representação seja semelhante à percepção visual que podemos ter dos objectos.» - JOLY, MARTINE, Introdução à análise da imagem (1909). Lisboa, Edições 70, pag99.



Nascimento de Vénus - Bottecelli








Madonna & Baby - Domenico Veneziano







  • Linhas de Fuga: o olhar direcciona-nos para fora do enquadramento. O olhar dos modelos fotográficos “sai” da fotografia e “chama” o observador, captando assim a sua atenção para o visionamento da mesma, funcionando como linha de fuga.





Tensão:





  • Há tendência de confundir a moldura com os limites do suporte. Isto leva «ao espectador a construir imaginariamente aquilo que não vê o campo visual da representação, mas que no entanto o completa: o fora-de-campo.» - JOLY, MARTINE, Introdução à análise da imagem (1909). Lisboa, Edições 70. pag97.
  • O fora – de – campo actua como um factor de tensão.
  • Clímax da tensão: leitura do texto escrito.





Proporção:

  • O corpo dos fotografados é proporcional.

  • Não existe simetria vertical dos mesmos dentro dos limites do enquadramento da fotografia.













Lei dos terços:





  • As fotografias respeitam a lei de terços, o que lhe confere uma “dignidade” clássica.















Composição nível interpretativo



Ponto de vista físico:




  • O ângulo da fotografia é o chamado “normal, "à altura do homem e de frente". Este dá facilmente uma impressão da realidade e "naturaliza a cena, imitando a visão "natural.
  • O uso de objectiva focal curta: dá maior impressão de naturalidade.


Encenação:


  • A encenação recria as mugshots.

  • Os “modelos carregam” todos os sinais, que fazem com que os identifiquemos com sujeitos pertencentes as classes mais discriminadas. As fotografias são fiéis as imagens mentais que a sociedade tem destes, ou seja ao seus estereótipos.

SUPORTE, MOLDURA E RECORTE





Suporte


Suporte físico: Cartazes,revistas e jornais.


Suporte perceptivo: longitudinal.


Moldura e recorte


  • Fotografias não circunscritas por moldura.
  • Muslim e Homeless parecem cortadas.

Fora de campo:

  • Parte inferior do corpo;
  • Resto do espaço (estúdio);
  • Fotógrafo.



Enquadramento: vertical e centrado.


ÂNGULO, ESPAÇO TRIDIMENSIONAL E DURAÇÃO

Ângulo e espaço tridimensional



  • Eixo Óptico: normal (à altura do homem e de frente).

  • Sistema de Lentes: normal.

  • Profundidade de Campo: pouca profundidade de campo.


Duração


Continuidade/Descontinuidade:


  • Há continuidade (devido à colocação da frase no final da imagem).

Nitidez/Movimento:

  • Não há sinal de movimento o que confere uma boa nitidez à imagem.

PAGINAÇÃO


Arranjo gráfico:

  • A composição ou a geografia interior da mensagem visual tem um papel essencial na hierarquização da visão, e portanto na orientação da leitura da imagem.

  • «O olho sempre segue o caminho que lhe fora preparado na Obra.» - George Péniou

  • Neste caso a construção da imagem é sequencial – consiste em fazer percorrer o olhar do espectador pelo anúncio de maneira que, no final do percurso, ele caia sobre o “produto”, neste caso especifico o slogan da campanha (que se encontra no fim das fotografias). Este será o alvo a atingir para provocar a reflexão sobre a imagem.

  • Modelo de construção: Z

Direcções do olhar

  • Os elementos presentes na cena actuam como guia e conduzem o olhar até ao protagonista (de cada fotografia), funcionando como linhas que oferecem um certo dinamismo perspectivo.


Outras linhas:

















INTERPRETAÇÃO DAS FORMAS


Elementos enfatizados:


  • African : desleixo.

  • Muslim: dejallaba.

  • Homeless: sujidade e abandono físico.

  • Ambos: iluminação, as mãos agarrando a placa e as linhas do rosto.




Elementos omitidos:

  • O fora-de-campo : a parte inferior dos corpos.
  • Primeira leitura: policias e cenário envolvente (prisão).
  • Segunda leitura: o fotógrafo e o estúdio.
  • Mugshot: fotografia em perfil.









Nível denotativo:

  • Semelhança com as mugshots.

  • Remete para um ambiente prisional onde a pessoa que é fotografada é identificada como alguém que acabou de cometer um qualquer crime.

  • Objectivos dos criadores (de acordo com o briefing): difundir uma raiz cultural e social e persuadir o público, levando a mente a reter os elementos que reconhece.

  • Associação à frase popular: «Nem tudo o que parece, é.»



Nível conotativo:


  • Remete para os vários estereótipos existentes na nossa sociedade.

  • Negro: pessoa perigosa e hostil; muitas vezes relacionado com gangs.

  • Muçulmano/Islamita: – religioso fundamentalista e terrorista (principalmente após o 11 de Setembro).

  • Sem-abrigo: toxicodependente, não empenhado em arranjar emprego; pessoa perigosa e desmazelada física e psicologicamente.


  • Pose: Rigidez das posturas: pode ser sinónimo de “prisão”, eles estão de forma directa, aprisionados aos estereótipos que a sociedade lhes atribui de forma discriminatória.

MODO DE PRODUÇÃO ENQUANTO SIGNO

Relação com o referente:




  • Índices






  • Ícones





  • Símbolos






Relação com a própria classe de signos:


  • Os símbolos diferenciam-se pelo grau de especificidade significativa.




Funções dos signos:








Bibliografia

  • ALAIN, Gheerbrant e CHEVALIER, Jean (1994). Dicionário dos símbolos / mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números. Lisboa: Teorema.
  • ARCARI, Antonio (1980). A Fotografia – as formas, os objectos, o homem. Lisboa: Edições 70.
  • BARTHES, Roland (1980). A Câmara Clara. Lisboa: Edições 70
  • FREUND, Gisele (1995). Fotografia e Sociedade (2ª edição). Lisboa: Edições 70.
  • FRUTIGER, Adrian (2001). Sinais e Símbolos, desenhos, projecto e significado. São Paulo: Martins Fontes.
  • JOLY, Martine (1994). Introdução à Análise da Imagem. Lisboa: Edições 70.
  • MUNORI, Bruno (1981). Das coisas nascem coisas. Lisboa: Edições 70.
  • MUNORI, Bruno (2001). Artista e Designer. Lisboa: Ediçoes 70.
  • VOLLI, Ugo (2003). Semiótica da Publicidade – A criação do texto publicitário. Lisboa: Edições 70.

Fontes On-line